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BRUXELAS

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Efeito Barroso

Há um mês um alto funcionário da Direcção Geral das Políticas Externas da Comissão Europeia, responsável na área das relações com a Ásia, veio a Portugal ouvir algumas instituições académicas que pensam e ensinam Relações Internacionais e Ciência Política. No fim  a razão verdadeira da visita lá se percebeu: o novo Director Geral é um português, João Vale de Almeida, que sai directo de Chefe de gabinete de Barroso. O burocrata veio, ouviu, terá tomado umas notas e ao regressar o mais provável é que escreva o que já pensava sobre o assunto, mas dizendo que esteve em Portugal. O episódio vale, ois, não pelo que foi mas pelo que representa. Até à eleição de Durão Barroso, ser-se português nas instituições comunitárias era vagamente exótico. Havia alguns funcionários destacados, gente que entrou logo em 1986 e a seguir, mas no essencial Portugal não disputava nem representava poder. Com a chegada de Barroso a situação mudou. Ser-se português é menos excêntrico, há portugueses onde antes não havia, sobretudo nos gabinetes, e há, por isso mesmo, mais acesso à informação, mais conhecimento. Isso, muito mais do que pensar que Durão  nos pode arranjar uns financiamentos extra, ou que se lhe pode meter uma cunha para esta ou aquela situação, é que é a verdadeira vantagem para Portugal de ter Barroso na Comissão Europeia. O problema europeu de Portugal é a periferia, uma questão cultural, mental, de atitude. Vamos ter, com toda a probabilidade, mais cinco anos de Barroso. Depois, esta oportunidade acaba-se. Quem sabe aproveitar, sabe, quem não sabe, fica irremediavelmente a perder.      

 

No Meia Hora de hoje
 

O Poder

Com o argumento de que “quanto mais forte o Parlamento Europeu, mais democrática e transparente a União Europeia”, Guy Verhofstad, ex-primeiro minstro belga e candidato falhado ao lugar de Barroso em 2004, anunciou, na sua nova qualidade de líder dos liberais no Parlamento Europeu, que o seu grupo – e os socialistas vão pelo mesmo caminho – não ia permitir a designação de Durão Barroso como presidente de Comissão Europeia já em Julho. A ideia dos governos era nomear Barroso já, mesmo antes do referendo irlandês (entretanto anunciado, com previsto, para antes do fim do ano), para evitar mais tempo morto. A posição do Parlamento reflecte, acima de tudo, um desejo de maior poder. De resto, exactamente como há cinco anos com o episódio Butiglione. Num caso e noutro, o que está em causa é a vontade do Parlamento se reforçar perante a burocracia da Comissão e, sobretudo, perante o Conselho, isto é os governos. O facto de os governos serem fruto de eleições razoavelmente mais participadas do que a eleição europeia, de onde a maioria dos eleitores praticamente deserta, não comove nem diminui o Parlamento, na opinião do próprio. E como o eleitorado não é tido nem achado, também não o move nem comove. O problema desta história é que a “Europa” vai sendo feita numa lugar distante, em negociações nada transparentes, aumentando a sensação dos eleitores de que nada têm que ver com isto. Impor o modelo parlamentar a uma Europa que não é um Estado, é uma comunidade de Estados, é um erro. 

 

No Meia Hora de hoje.

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