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BRUXELAS

BRUXELAS

O dinheiro que não usamos*


Carlos Moedas vai ser o Comissário dos fundos europeus que Portugal quase não aproveita. É por isso que esta pasta pode ser tão importante. Temos cinco anos para nos aproximarmos de Bruxelas, destes programas e aprender a concorrer com qualidade. Ou então, Moedas pode até fazer um excelente trabalho, mas continuará a ser tempo e dinheiro perdidos por Portugal.

O Horizonte 2020, é assim que se chama o principal programa que vai gerir, tem 80 mil milhões de euros para investir no apoio à investigação e inovação entre 2014 e 2020. O Comissário português não pode (nem deve, de resto) dar ordens para que um único cêntimo que seja vá para Portugal, empresas portuguesas ou centros de investigação nacionais. Quem acha que Carlos Moedas nos vai mandar dinheiro percebe pouco da Europa e nada destes programas. Tudo depende do trabalho prévio, de haver alinhamento com as prioridades de investigação e inovação da União Europeia (que ajudamos a definir), de conhecer e ser conhecido por bons parceiros, de estar atento, concorrer a tempo e com qualidade. Muito do que em muitos casos não temos feito. E por isso não temos convencido os painéis de avaliação, que são independentes e livres.

No começo do verão encerrou a primeira fase do primeiro concurso do Instrumento PME que financia as Pequenas e Médias Empresas mais inovadoras, com produtos que se mostrem capazes de chegar ao mercado. Tinham sido apresentadas 2.666 propostas e foram seleccionadas 155. Ou seja, uma taxa de sucesso exigente de 6%. Alguns países foram especialmente eficazes, como a Irlanda (o país da actual comissária), com 20% das suas propostas aprovadas; o Reino Unido com 11%; Israel com 10% e os espanhóis, que conseguiram 9% de sucesso. Das 70 propostas que Portugal apresentou, só uma foi seleccionada. Uma taxa de sucesso de 1,43%.

O pior que nos pode acontecer é pensarmos que temos um português em Bruxelas com 80 mil milhões de euros para dar. A vantagem para Portugal de ter um comissário numa pasta assim é perder a distância, o medo e, assumamo-lo, a falta de competências para concorrer e ganhar. Essa aproximação, Carlos Moedas pode, e deve, promover. O resto, como sempre, depende de nós.

 

Henrique Burnay
Senior Partner da Eupportunity

 

* Este artigo foi publicado no Observador.

 

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