Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

BRUXELAS

BRUXELAS

O Poder conquista-se

Reza a lenda que em 1999, durante o período que antecedeu a demissão colectiva da Comissão Santer, os franceses disseram qualquer coisa como “um ex primeiro-ministro francês nunca cai sozinho”. No caso era uma ex primeira-ministra, Edith Cresson, suspeita de ter arranjado um emprego falso no seu gabinete para um dentista com outros atributos. Para a História, o que conta é que Cresson não caiu sozinha, de facto, e os escândalos espalharam-se a toda a Comissão, até se tornar inevitável a demissão colectiva. Para além da natural altivez francesa, havia aqui um pressuposto: um Estado Membro, no caso o francês, não podia permitir que um dos seus dirigentes políticos, no caso até tinha sido chefe de governo, fosse posto em causa pelo Parlamento Europeu. Se caísse, caí a comissão toda. E assim foi. Onze anos passados, a Bulgária descobriu – tal como a Itália há cinco anos – que as coisas já não são bem assim. Ao forçar os búlgaros a substituir a indigitada Jeleva, o Parlamento Europeu mostrou que pode fazer frente aos governos nacionais. Há cinco anos tinha feito o mesmo aos italianos, com o episódio Bottiglione. Em ambos os casos é possível argumentar que os candidatos que colocaram a jeito, mas isso é, apesar de tudo, o pretexto. O facto essencial é que o Parlamento Europeu, pela segunda vez seguida, devolve à procedência um candidato a comissário, evidentemente humilhando um governo nacional. O Parlamento Europeu sabe que o poder se conquista, e tem feito por isso

 

Publicado no Metro de hoje
 

2 comentários

Comentar post