Prever o futuro
Há nove anos e tal, quando Portugal presidia à União Europeia, criou-se a Estratégia de Lisboa que, não sendo nada, é o contexto em que se enquadram as políticas europeias. Resumidamente, a Europa prometia tudo fazer para vir a ser a economia mais avançada do mundo, baseada no conhecimento. Em dez anos. Cada nova iniciativa, cada novo programa comunitário, cada fundo europeu, era suposto corresponder aos objectivos de “Lisboa” e realizar a estratégia. Passaram-se os ditos dez anos (ou quase) e é evidente que o resultado não foi alcançado - e não se culpe a crise financeira. Fazê-lo, mais do que um erro, seria uma ilusão. Agora, a poucos meses do termo do prazo, a União Europeia fala em rever a Estratégia de Lisboa. Mais do que o nome que irá ter a próxima (de Estocolmo, capital que se segue na presidência, ou outro), o que interessa é o conteúdo. Segundo os sinais conhecidos, a aposta vai para a investigação, educação e inovação, a energia, as alterações climáticas. Nada de muito surpreendente ou original. Nem necessariamente consequente. Seja como for, é de crer que vão ser estas as prioridades da Europa nos próximos anos. Assim sendo, há duas coisas que interessa saber. Uma, se os decisores políticos portugueses têm alguma palavra a dizer sobre o assunto (têm, tanto no Conselho, onde está o governo, como no Parlamento, onde vão estar os Deputados europeus que em Junho forem eleitos) e qual. Outra, saber se as empresas interiorizam a informação sobre estas tendências e se orientam em conformidade. O futuro, quando é previsível, pede alguma previsão.
No Meia Hora de hoje
