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BRUXELAS

BRUXELAS

Bioenergia gera controvérsia II

 

Depois de ter sido publicado um estudo onde se demonstra que biodiesel proveniente da soja é quatro vezes mais poluente que o combustível de fontes não renováveis, a controvérsia em torno da sustentabilidade do mercado dos biocombustíveis volta a Bruxelas. O estudo, que seria um anexo de um documento publicado pela Comissão Europeia, foi deliberadamente retirado antes da publicação, levando uma das consultoras que redigiu o documento, a alemã Fraunhofer, a renunciar, embora que parcialmente, a sua autoria. A Comissão justificou a omissão do estudo com base na metodologia aplicada, que não teria sido a mais apropriada. Nesta matéria, a controvérsia vai continuar.

 

Energia renovável a 100% em 2050? Há quem acredite.

O Conselho Europeu de Energias Renováveis(CEER) publicou um documento que considera que poderia servir de guia para uma estratégia de energias renováveis até 2050.  De acordo com o estudo seria possível reduzir em 90% as emissões de gazes de efeito estufa, até 2050, se toda a produção de energia fosse de fontes renováveis. Embora o custo de implementação seja elevado, as vantagens ambientais e sociais são maiores, afirmam, argumentando que a nova indústria criaria mais postos de trabalho do que os perdidos pela velha.

O documento saiu no seguimento de um estudo feito pela Fundação Europeia para o Clima que afirmar ser possível reduzir em 80% as emissões de gazes, sem alterar o preço da electricidade, utilizando energias de fontes renováveis. As tecnologias necessárias para termos 100% de energias renováveis já existem, utilizá-las é só uma questão de vontade política, argumentam.

Para o CEER o maior desafio para as energias renováveis estará no sector dos Transportes. Porém, essa dificuldade seria ultrapassada à medida em que o mercado de veículos eléctricos e de biocombustíveis esteja mais desenvolvido.

As batalhas em torno da energia vão prosseguir. E os relatórios com conclusões divergentes, também. Caberá aos políticos a última palavra.

 

Peritos em eficiência energética procuram-se

O programa Intelligent Energy, que financia projectos que desenvolvam o mercado das energias renováveis e que procurem soluções para melhorar a eficiência energética – particularmente na área dos transportes –, abriu candidaturas à apresentação de projectos para 2010, e procura peritos na área da eficiência energética, “mobilidade verde” e energias renováveis para integrarem o painel de avaliação dos projectos candidatos este ano. Saber mais aqui.

Energia solar importada do Sahra

A iniciativa industrial Desertec é um projecto conjunto de várias empresas europeias, do norte de África e do Médio Oriente, com o objectivo de instalar centrais de energia renovável, particularmente de energia solar, na região sul do Mediterrâneo, que sejam capazes de abastecer as necessidades energéticas locais e europeias. A iniciativa industrial – um dos maiores projectos de energia solar do mundo - que contava com apenas 12 empresas, foi agora reforçada com a participação de mais 5 parceiros de Espanha, Itália, França, Marrocos e Tunísia. O principal desafio do projecto, nesta fase inicial, é assegurar um quadro jurídico e fiscal favorável ao investimento no Norte de África quando a energia solar continua mais cara que os combustíveis fósseis.

Carros a electricidade mais environmentally friendly?

No contexto do actual debate acerca da sustentabilidade dos carros a electricidade, foi publicado um estudo na Dinamarca que compara as taxas de emissão de CO2 nos veículos a gasóleo, gasolina, híbridos e a electricidade numa análise do ciclo de vida dos combustíveis. A principal conclusão afirma que carros a electricidade emitem mais dióxido de carbono que os carros a gasóleo, por necessitarem, para longas distâncias, de um abastecimento mais frequente, o que significa um aumento das emissões nas bombas de abastecimento de electricidade.

Sendo os carros a electricidade uma das apostas da Comissão Europeia no combate às alterações climáticas, está prevista a apresentação de uma estratégia para os veículos a energias limpas e eficientes para Maio. A discussão está aberta e vai continuar.

Mercado eléctrico pan-europeu

O comissário para a Energia, Günther Oettinger, afirmou a semana passada numa conferência organizada pela Eurelectric, que a Comissão Europeia está a preparar um mecanismo que torne possível a integração dos sistemas eléctricos nacionais num mercado pan-europeu. Esta medida, que será levada a cabo pela Agência Europeia de Cooperação dos Reguladores Energéticos, vem levantar as barreiras à incorporação das energias renováveis num mercado energético único desenvolvendo, por isso, a competitividade do sector.

Portugal sem CONCERTO. Ainda.

A Iniciativa CONCERTO, lançada em 2003 pela Comissão Europeia, é um projecto pan-europeu que apoia planos de eficiência energética ao nível das comunidades locais. O objectivo é integrar fontes de energia renovável em planos energéticos municipais, através da gestão de edifícios ecológicos, da poli-geração de energia, da utilização de biomassa para o aquecimento urbano, e do armazenamento eficiente de energia. Até agora 58 comunidades participam nos 22 projectos da CONCERTO. Portugal é dos poucos Estados-Membros que não participa desta Iniciativa. O mapa das comunidades CONCERTO aqui.

 

Verdes anos

O sector da eco-indústria está a crescer cada vez mais na Europa. Com um nível de produtividade superior ao da indústria de manufactura, emprega cerca de 3.4 milhões de pessoas e transacciona mais que 300 biliões de euros por ano. Continua no entanto a ser pouco lucrativa.

Um estudo encomendado pela Comissão Europeia concluiu que, à excepção de alguns sub-sectores, como a reciclagem e as energias renováveis onde a UE é líder de mercado, a eco-indústria europeia perde em competitividade para a China, que lidera o mercado da energia solar. O estudo conclui também que em termos de veículos híbridos e bio-combustíveis, a UE tem ainda uma posição fraca. No que respeita aos bio-combustíveis, é possível que esta situação se deva à falta de um guia comunitário sobre a sustentabilidade da bio-energia, questão que tem gerado alguma controvérsia.

De forma a tornar o sector mais competitivo o estudo enumera algumas recomendações: a sincronização da aplicação das directivas comunitárias relativas ao sector, bem como do processo de padronização e certificação; a importância do apoio financeiro na promoção de investigação, desenvolvimento e eco-inovação; harmonizar e promover o green-procurement; entre outras.

A economia está a ficar verde. Mas o verde ainda não suficientemente lucrativo. É por aí que a UE há-de ir.

 

Redes energéticas inteligentes

Segundo um relatório concluído pelo Greenpeace e pelo European Renewable Energy Council, apostar no desenvolvimento de redes de distribuição energética inteligentes irá possibilitar, no futuro, a independência energética europeia de fontes não renováveis.

A existência de redes de distribuição de pequena escala, integradas numa mega rede através de tecnologias inovadoras de informação, descentralizará a distribuição de energia, que hoje é produzida quase exclusivamente por grandes centrais eléctricas, para infra-estruturas de menor envergadura, como telhados solares, etc. Para além disso, a distribuição será mais eficiente através destas redes, que fornecerão de acordo com as necessidades da procura e da oferta de energia.

Este pode ser um sinal de que investir em sistemas energéticos alternativos pode vir a ser extremamente lucrativo, não só para empresas do sector energético, mas principalmente para empresas que apostem em tecnologias de informação de ponta.

Milhões para as Renováveis

Os Estados-Membros aprovaram um plano para financiar projectos tecnológicos inovadores de energias renováveis e de captura e armazenamento de CO2 (CCS: Carbon Capture and Storage). O financiamento virá dos rendimentos obtidos dos 300 milhões de licenças de emissão de CO2 a serem vendidas pelo Banco Europeu de Investimento, que posteriormente irá distribuir o capital por cada Estado-Membro. Considerando que cada tonelada de dióxido de carbono custa 20€, estima-se que 6 biliões de euros ficarão disponíveis para o financiamento destes projectos.

Com o único voto contra vindo da Polónia, falta agora definir o processo de selecção dos projectos, que deverá ser feito em parceria entre a Comissão e os Estados-Membros.

 

Do Carro eléctrico ao eletric car

 A presidência espanhola da UE apresentou um relatório relativo à futura estratégia de promoção da indústria automóvel, particularmente dos veículos híbridos e eléctricos. A estratégia passa pela alocação de recursos tecnológicos inovadores ao sector, pelo investimento público e privado, e pelos incentivos financeiros aos consumidores.

A presidência espanhola insiste ainda na necessidade de uma padronização e interoperabilidade do sector a nível europeu de forma a tornar o mercado competitivo com os EUA, China e Japão.

Contudo, segundo alguns críticos, os efeitos ambientais dos carros eléctricos não são devidamente expostos no relatório. O lobby ambiental publicou, por isso, um relatório que sublinha o perigo de se apostar em veículos eléctricos que não se sustentem de energias renováveis. Não existindo uma rede eléctrica inteligente os veículos eléctricos procurarão fontes energéticas convencionais, o que significa a não redução das emissões de CO2. 

Bioenergia gera controvérsia

 Os critérios de definição da sustentabilidade do mercado de bioenergia continuam a gerar alguma controvérsia em Bruxelas. Sendo a bioenergia uma das alternativas às energias não-renováveis a UE tem impulsionado o seu desenvolvimento. Contudo, dado o facto de a bioenergia ser produzida em terrenos agrícolas, as alterações indirectas do uso das terras, isto é, a utilização de terrenos dedicados a florestas, pastagens etc., para cultivo agrícola, redundam em grandes quantidades de emissões de CO2, anulando os ganhos da bioenergia.

Desta forma a Comissão Europeia redigiu uma comunicação não final acerca da sustentabilidade da bioenergia, que a ONG Friends of the Earth classificou de forma pouco positiva, já que se permite o cultivo de palma oleaginosa para a produção de bioenergia, considerando que plantações deste tipo entram na categoria de florestas. De acordo com a ONG, este género de plantação é uma das principais causas do desaparecimento das florestas tropicais, e por isso inimiga da biodiversidade e dos objectivos ambientais que se pretende atingir.

Um documento final da Comissão Europeia que complemente a Directiva sobre Energias Renováveis, com especial foco nesta matéria, é esperado para Março.

 

Sol de pouca dura?

Os ministros do ambiente da Alemanha e França anunciaram cortes nos subsídios aos produtores de energia solar. Esta decisão pode ser uma consequência da queda abrupta do preço dos painéis solares o ano passado. Por ser um mercado em expansão, o aumento da oferta favoreceu a queda dos preços, e a permanência dos subsídios poderia vir a causar uma bolha especulativa.

 

 

A European Photovoltaic Industry Association declarou que pequenos cortes nos subsídios podem ser benéficos para a sustentabilidade do sector, mas que cortes maiores podem vir a afastar PMEs, e o seu potencial de inovação, de entrar no mercado.

Com esta informação é possível que Alemanha e França sejam pioneiros numa nova tendência da política energética e ambiental. Tendo em conta a introdução da microgeração em Portugal, esta possível tendência interessa-nos.

Edifícios com eficiência energética

O Parlamento Europeu e Conselho chegaram a acordo político acerca da proposta de directiva relativa ao desempenho energético de edifícios. A proposta define padrões de eficiência energética para todos os novos edifícios e para os que venham a ser alvo de grandes obras de renovação. Para além disso, a proposta impõe a inclusão de sistemas alternativos nos planos energéticos dos edifícios. Desta forma, a produção descentralizada de energias renováveis passa a ter que ser considerada com maior seriedade, tanto por parte do sector privado como do público.

A este respeito convém frisar a crescente importância da energia solar entre os novos sistemas energéticos. Segundo vários especialistas, a energia solar oferece uma importante vantagem: torna-se eficiente ao ter uma aplicação descentralizada de pequena e média escala, como é o caso dos edifícios residenciais e terciários. No entanto, as tecnologias para aplicação de energia solar em larga escala ainda aparecem muito caras aos olhos de investidores privados, deixando nas mãos dos Estados a iniciativa de construir centrais solares.

A União Europeia tem criado incentivos aos Estados-Membros neste sentido: o plano estratégico para as tecnologias energéticas disponibiliza 16 mil milhões para o desenvolvimento de plataformas de energia solar. 

Apesar da crise...

 

O sector das tecnologias limpas conseguiu continuar a atrair investimento de capital de risco, o que significou um crescimento significativo do sector na UE o ano passado, em relação ao líder de mercado, os Estados Unidos. A energia solar é uma das vertentes onde mais se investiu. A notícia do grupo Cleantech aqui.